Publicação 13/10/2025 09:06, Atualização 18/08/2026 18:40
A última pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirmou que a Paraíba segue em uma tendência de consolidação na relevância para o país na carcinicultura. O estado ocupa, desde 2019, o terceiro lugar no Brasil na quantidade de produção de camarão. Analisados os dados de 2024, a Paraíba alcançou um montante de 8,9 mil toneladas de produção, gerando R$ 183,3 milhões em valor de produção.
O estado superou Pernambuco (6,6 mil toneladas), Bahia (4,8 mil toneladas), Piauí (4,3 mil toneladas) e Sergipe (4,2 mil toneladas). O levantamento, aliás, mostra como o Nordeste domina de maneira soberana o mercado de criação de camarões no país, com os três estados líderes, Ceará (83,8 mil toneladas), Rio Grande do Norte (31,6 mil toneladas) e a Paraíba (8,9 mil toneladas) somando 84% da carcinicultura no Brasil.
A produção de camarão no estado segue uma trajetória constante de evolução. Em 2013, o primeiro ano da série histórica da pesquisa do IBGE, a produção era de 864 toneladas. Já em 2019, ultrapassava 4,3 mil toneladas. Contando de 2014 para 2024, o crescimento foi superior a 10 vezes.
De 2019 a 2021, o salto foi consideravelmente expressivo. O criação de camarões nesse ciclo de tempo praticamente dobrou, fazendo com que a cultura ultrapassasse a de produção de peixe no estado, assumindo a liderança econômica da aquicultura a partir dali. Realidade que vem permanecendo e que ganha novos horizontes e metas.
De acordo com a estimativa da Associação dos Carcinicultores da Paraíba (ACP), o setor vem gerando cerca de três mil empregos diretos e indiretos. Para o presidente da ACP, André Jansen, o estado segue a passos largos para conquistar ainda mais relevância nacional no setor.
“Hoje, a criação de camarão na Paraíba é uma realidade, seguimos colados no Rio Grande do Norte, com uma produção estimada de 18 a 20 mil toneladas para o ano de 2025. Temos a maior produtividade média por hectare/ano, que ultrapassa a média nacional que é de sete toneladas. Na Paraíba temos uma produtividade de 15 a 20 toneladas por hectare/ano”, avaliou.
André destaca ainda o Vale do Paraíba, região que engloba Itabaiana e cidades vizinhas, e o Vale de Mamanguape, no Litoral Norte, como expoentes importantes da carcinicultura. “Aquela realidade de 900 toneladas já ficou para trás desde 2015, quando outros polos de produção surgiram como o Vale do Paraíba e o Vale do Mamanguape. Além disso, tivemos a recuperação dos produtores em água salgada e a modernização das fazendas”, comentou.
Um movimento interessante dentro da economia paraibana, sobretudo no interior, também responde pela consolidação do estado como terceiro maior produtor de camarão de todo o país. É que alguns pequenos empresários acabam por trocar a pecuária pela aquicultura.
É o que revela Alberto Magno, produtor da Fazenda Mirim, localizada em Salgado de São Félix, e referência na produção de camarão. A fazenda emprega 12 pessoas e é um dos importantes pontos da carcinicultura da Paraíba.
“Muitas famílias estão trocando a pecuária e a criação de pequenos animais para ter pequenos viveiros em suas propriedades usando as águas do Rio Paraíba. E, hoje, o que vemos no interior do nosso estado é o camarão ganhando mercado e indo para o Sul e Sudeste do país”, conta Alberto.
Umas das consequências da força da produção de camarões na Paraíba é que a iguaria passou a ser uma constante na alimentação dos paraibanos. Além dos diversos restaurantes que levam o nome do animal e que se especializaram em pratos com o ingrediente, notadamente, em sua maioria, localizados em João Pessoa e em outras cidades do Litoral, alguns municípios passaram a colocar o camarão na merenda escolar.
No interior, por exemplo, Itabaiana e Salgado de São Félix, que ficam a 89 km e 81 km da capital, respectivamente, oferecem camarões em algumas de suas escolas públicas. As duas cidades possuem produtores da carcinicultura.
Ou seja, a produção é feita nos municípios e é consumida pela população também, girando a roda da economia localmente e criando uma nova forma de consumo interno, fomentando ainda mais o setor. O presidente da ACP, André Jansen, revela que torce para que o exemplo das duas cidades possa influenciar outras da Paraíba.
“Tomara que a Paraíba siga o exemplo de Sergipe, que oferece o camarão na merenda em 100% do estado, proporcionando assim uma proteína rica e nobre aos alunos da rede pública”, explicou André.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 12 de Outubro de 2025.