Publicação 22/09/2025 08:29, Atualização 18/08/2026 17:55
A Polícia Civil da Paraíba (PCPB) ouviu 10 pessoas, ontem (19), com o objetivo de atestar a hipótese de origem criminosa do incêndio que acomete um território de cerca de 160 hectares na Serra do Cruzeiro, localizada na cidade de São José do Bonfim, desde o último dia 13. De acordo com o delegado Claudinor Lúcio, residentes de uma área próxima a um dos focos do incêndio na região foram intimados, após as autoridades terem observado indícios de que o incidente pode ter sido provocado por ação humana. Um dos motivos que respalda essa linha de investigação é o fato de os focos situarem-se distantes entre si.
O Ministério Público do estado (MPPB) informou que também apura o caso. O procurador-geral de Justiça da Paraíba, Leonardo Quintans Coutinho, destacou a colaboração do órgão para a força-tarefa mobilizada em São José do Bonfim e revelou crer na hipótese de crime. “O MPPB tem, nesse momento, uma missão clara e inadiável: atuar de forma integrada com a Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros e a Semas [Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade] na investigação da autoria criminosa e da motivação do incêndio que devasta a Serra do Cruzeiro, um dos biomas mais importantes do nosso estado. Sabemos que a causa é humana. Por isso, já foi protocolada uma representação judicial para a quebra de dados de geolocalização de celulares, medida essencial para identificar os responsáveis e compreender o contexto dessa prática criminosa”, afirmou Leonardo.
Por meio da Semas, o Governo da Paraíba vem coordenando a operação de combate ao fogo na Serra do Cruzeiro. A força-tarefa integrada é composta pelo MPPB, pelas polícias Civil (PCPB) e Militar do estado (PMPB), pelo Corpo de Bombeiros Militar (CBMPB) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). As equipes têm a expectativa de que as chamas sejam controladas neste fim de semana. Segundo Thiago Silva, gerente-executivo de Áreas Protegidas da Semas, as atividades continuaram intensas durante todo o dia de ontem, com a finalidade de extinguir o incêndio. “A previsão inicial é que a gente consiga resolver até hoje. Pode ser que se estenda, mas a gente espera e tem feito um esforço para que, ainda neste fim de semana, consiga resolver a questão”, antecipou Thiago, frisando que fatores como o vento, por exemplo, podem atrapalhar o andamento das atividades.
O capitão do Corpo de Bombeiros, Idygleikson Medeiros, corrobora com essa possibilidade, mas esclarece que as condições climáticas e o apoio dos moradores do município, no Sertão paraibano, são indispensáveis para o sucesso da operação e da preservação ambiental local, pois o uso inadequado do fogo, seja para limpeza de terreno, produção de pasto ou até incineração de resíduos sólidos, provoca princípios de incêndio.
Cerca de 100 bombeiros militares têm atuado para extinguir as chamas na área. Ontem, equipes do 3º Comando Regional de Bombeiro Militar, em conjunto com o 4º Batalhão de Bombeiro Militar, com o apoio de nove policiais militares, do Grupo Tático Aéreo (GTA) e do helicóptero Acauã, da PMPB, intensificaram o combate a incêndio, a construção de aceiros — que consiste na retirada de vegetação para criar barreiras contra o avanço do fogo — e o rescaldo das áreas controladas, diminuindo o risco de novos focos. “As ações seguem até o fim do dia, garantindo maior segurança para as comunidades vizinhas e reduzindo os danos à vegetação nativa.”, declarou o tenente-coronel do CBMPB, Danilo Galvão.
Um incêndio florestal dessa dimensão acarreta inúmeros prejuízos para a fauna, a flora e o solo da região. No entanto, por ora, não se sabe o real impacto que o fogo causou sobre o ecossistema local. “Após a extinção do fogo, a gente vai iniciar um processo de delimitação do que foi degradado e quantificar, por meio de estimativas, o percentual da área degradada. [Divulgar] qualquer valor agora seria pouco preciso”, contou Thiago Silva.
Ainda conforme o gerente-executivo da Semas, até o momento, não há registros de morte de nenhuma espécie ameaçada de extinção em decorrência das chamas. Foram encontrados corpos de alguns pequenos roedores, mas especialistas ressaltam que o relevo da região permite que a fauna, de modo geral, refugie-se em áreas seguras.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 20 de setembro de 2025.