Publicação 07/06/2024 08:57, Atualização 19/08/2026 12:29
O governador João Azevêdo abriu, ontem, o 38o Salão do Artesanato Paraibano, em Campina Grande, que tem como tema “A arte de quem vive da fé”, uma homenagem aos artesãos santeiros. Na ocasião, o gestor também autorizou o lançamento do edital Artesanato Vivo que investirá R$ 600 mil na valorização da produção artesanal.
O Salão do Artesanato de Campina Grande segue até o dia 30 de junho em uma grande estrutura montada na Avenida Brasília, local estratégico da cidade que realiza o maior São João do Mundo e recebe um grande fluxo de turistas. A estimativa é de que mais de 90 mil pessoas passem pelo local e mais de R$ 3 milhões sejam gerados em negócios.
Na ocasião, o chefe do Executivo estadual ressaltou a grandiosidade do evento que fomenta a economia criativa. “O artesanato é cultura, é história, mas também é um segmento econômico que gera emprego e renda. São mais de 500 artesãos fazendo negócios e espero que tenhamos um Salão extremamente alegre, com cultura popular, música, dança, e a nossa meta é fazer um evento maior do que o do ano passado, colocando o artesanato em um outro patamar”, frisou.
A primeira-dama do Estado e presidente de Honra do Programa do Artesanato Paraibano (PAP), Ana Maria Lins, desejou boas vendas e muitas encomendas aos artesãos. “Além de muitas peças bonitas, teremos apresentações culturais e o melhor da gastronomia nordestina. Tudo preparado com muito carinho para nossos visitantes e para os nossos expositores. Eu agradeço a todos os nossos parceiros, em nome do Sebrae, e a todos os órgãos do governo envolvidos no Salão e eu tenho certeza de que teremos um evento abençoado”, declarou.
O vice-governador Lucas Ribeiro destacou a importância da realização do evento em um momento de grande movimentação na cidade. “Os artesãos fazem uma renda importantíssima neste mês. Eu parabenizo toda a equipe do Programa do Artesanato Paraibano pela dedicação e por entregar um espaço tão bonito. No maior São João do Mundo vamos fazer o maior Salão do Artesanato do mundo”, comentou.
O ministro em exercício do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Tadeu Alencar, parabenizou o Governo da Paraíba pela organização do evento e pela valorização da cultura popular. “Eu fico feliz, porque a Paraíba tem uma gestão sensível com a cultura, que permite uma feira tão grandiosa. O artesanato é uma demonstração da expressão da cultura popular do Nordeste e do país e, por isso, estamos estabelecendo uma política nacional para o segmento, qualificando o trabalho dos artesãos e expandindo o mercado em níveis nacional e internacional”, pontuou.
“Esse é um momento especial para os artesãos paraibanos e eu agradeço ao governador João Azevêdo pelas ações administrativas em Campina Grande, a exemplo do Salão do Artesanato, que está belíssimo, fazendo uma Paraíba melhor e mais justa para todos”, disse o presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino.
A gestora do PAP, Marielza Rodriguez, celebrou o sucesso da abertura do Salão do Artesanato. “O evento cresceu muito, tivemos um recorde de inscrições e nosso espaço físico, que foi de 4 mil m2 no ano passado, aumentou para 5.200 m2 neste ano. Nós teremos uma vasta programação folclórica, muitas novidades em termos de design com produtos inovadores para o Salão e uma ambientação do arquiteto Rosemildo Jacinto, fazendo uma alusão aos nossos santeiros. Nós temos artesãos de todas as regiões do estado, chamando a atenção para a arte santeira, uma tradição que passa de pai para filho e todos os visitantes do Salão vão conhecer um pouco dessa história”, salientou.
Homenageado no Salão do Artesanato, o santeiro Chico Diniz evidenciou a alegria de ter seu trabalho reconhecido. “Eu aprendi essa arte com a minha mãe e estou dando sequência ao que ela me ensinou. Eu agradeço por ser homenageado em vida, quero repassar essa arte para outras pessoas para manter essa tradição viva e é muito bom saber que temos o apoio do governo”, celebrou.
O Salão está aberto ao público das 15h às 22h. A entrada é gratuita, mas os visitantes podem exercer a solidariedade com a doação de 1 Kg de alimento não perecível. Todos os produtos arrecadados com o Projeto Salão Solidário serão destinados aos artesãos do Rio Grande do Sul, que sofrem as consequências das chuvas que têm atingido aquele estado.
por Marcella Alencar*
Com o tema “A arte de quem vive da fé”, o evento reúne mais de 500 expositores dos mais diversos materiais e com as mais diversas histórias que são contadas a partir principalmente dos santos, que ganharam ênfase nesta edição do evento, mas também a partir de outras peças que compõem o ambiente do maior salão de artesanato realizado até então em Campina Grande.
O evento, além de tudo, também forneceu alimentação e alojamento para artesãos que vêm de fora. São 150 leitos disponibilizados, com cozinha e toda a logística necessária para acolher os artesãos.
A mestre artesã Maria do Socorro Lima, tradicional bonequeira, de Remígio é uma das artesãs que vende suas peças no evento: “Para mim, é uma grande alegria estar aqui, a gente faz amizades, ganha uma renda e passa nosso empreender e nosso conhecimento para outras pessoas”. A artesã começou a produzir aos sete anos e vende para as duas feiras, além de sempre receber encomenda de outros estados.
Para além do artesanato, o Salão também contará com atrações culturais diariamente durante os 24 dias de evento. As apresentações de grupos folclóricos, quadrilhas e artistas locais podem ser contempladas na praça de alimentação do evento, que foi ampliada para esta edição. É lá onde também é possível encontrar comidas típicas, cachaças paraibanas e queijos regionais, como o queijo de cabra. Toda a estrutura do evento é montada levando em consideração quatro pilares que a gestora do Programa do Artesanato Paraibano (PAP), Marielza Rodrigues, considera fundamentais. “A gente tem a preocupação de tornar esse evento economicamente viável, socialmente justo, ecologicamente correto e preservar a cultura”, enfatizou.
Dentre as ações realizadas neste ano, que ajudaram a construir esta edição do Salão de Artesanato, está a capacitação das crocheteiras e rendeiras na oficina criativa ministradas no Sebrae, parceira do PAP. As capacitações foram ministradas por dois renomados designers: Sérgio Matos, em Campina Grande e Renato Imbroisi, em Monteiro. Marielza relembra a importância dessas capacitações para a composição do ambiente do evento: “Eles vieram e montaram uma coleção de crochê para a ambientação, sempre preocupados com a preservação e a inovação, porque o gerar renda é importante, mas na hora que a gente está gerando renda para o artesão, a gente também está preocupada com inclusão e cidadania, com preservação ecológica, porque muitos deles trabalham com materiais que iam ser jogados fora”, comentou. O resultado dessas oficinas poderá ser conhecido nesta edição do evento.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 07 de junho de 2024.