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erudito

Fimus tem prévias em JP e Campina

Publicação 03/07/2026 10:31, Atualização 18/08/2026 15:05

Fimus tem prévias em JP e Campina

A 17ª edição do Festival Internacional de Música de Campina Grande (Fimus) bate à porta. Consolidado no calendário campinense, mas tendo João Pessoa como grande parceira do projeto, o consagrado evento musical inicia as atividades deste ano na próxima sexta-feira (10), mas estreia um fim de semana de prévias hoje, às 20h, na Sala de Concertos Maestro José Siqueira do Espaço Cultural José Lins do Rêgo, em Tambauzinho (JP), com a Missa de Alcaçus. O concerto é uma parceria do Coro de Câmara de Campina Grande, Camerata Eldorado e Orquestra Sinfônica da Universidade Federal da Paraíba (OSUFPB), com regência do maestro Vladimir Silva. A entrada é gratuita.

Amanhã, às 20h, no Teatro Municipal Severino Cabral, em Campina Grande, os músicos Daniel Duarte e Petar Jankovic apresentam Samboro, recital misto de música brasileira e dos Bálcãs. No domingo (5), a partir das 10h, no Museu de Arte Popular da Paraíba (Mapp), também em Campina, Daniel Duarte abre a roda de choro com o Grupo Chorata.

Composta pelo maestro potiguar Danilo Guanais em 1996, Missa de Alcaçus comemora no presente 30 anos de sua estreia. A obra se traduz na fusão entre elementos próprios à tradicional estrutura da missa católica celebrada em latim e os ritmos do Nordeste brasileiro, harmonizando diálogo direto com a música armorial. Participam ainda da formação os pessoenses Giovanna Maropo (soprano) e Willian da Silva (barítono), além de Daniel Duarte (violão).

“É um trio de solistas de porte internacional, juntamente com a Camerata Eldorado, que vem de Campina Grande (formada por alunos e egressos da Universidade Federal de Campina Grande), e com músicos convidados da Orquestra Sinfônica da UFPB e alunos”, diz Vladimir Silva.

O maestro explica que alguns textos da missa, como “Gloria” e “Credo”, possuem versos que são desdobrados, tornando-se um movimento da música. Não se trata, no entanto, de uma missa litúrgica, ou seja, própria para ser cantada durante a celebração regular de uma missa religiosa, tendo em vista sua longa duração (cerca de 60 minutos). “É uma missa-concerto, uma missa coral-sinfônica”, precisa Vladimir.

Com orquestra de cordas e percussão regional envolvendo zabumba, triângulo, agogô e pau de chuva, a missa se baseia em cânticos e romances oriundos das práticas europeias medievais renascentistas, cantados por mulheres que vivem em Alcaçuz, comunidade da zona sul de Natal.

“Danilo desenvolve uma linguagem muito própria. Ele resgata elementos da música armorial e da arte armorial, que foi tão bem defendida por Ariano Suassuna nos anos 1970”, ressalta o maestro. “Quando da estreia desta missa em 1996, ela foi prefaciada por Ariano, que reconhecia a conexão da obra de Danilo com o Movimento Armorial. Em detrimento disso, Danilo criou então um movimento chamado a Nova Música Armorial, mantendo a essência proposta por Suassuna, mas ao mesmo tempo se distancia, abarcando caracteres da música dos séculos 20 e 21”.

Frequentemente revisitada por corais e orquestras universitárias, tais como o Coral da Universidade Estadual do Piauí (UESPI) e o Coral da Universidade de São Paulo (CoralUSP), a Missa de Alcaçuz foi registrada em álbum de 22 faixas e se encontra disponível à audição no repositório do site Internet archive.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 03 de junho de 2026.

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