Publicação 03/07/2026 10:30, Atualização 18/08/2026 15:03
Cabaceiras, conhecida por ser uma cidade-pólo da cultura paraibana, recebe, neste fim de semana, a primeira edição do Roliúde Cine Fest, que acontece até o próximo domingo (5). Toda a programação, gratuita, será concentrada na sala de cinema do Pousada Roliúde, situada às margens da PB-160, naquele município. Além dos segmentos competitivos de curtas e longas-metragens, haverá rodas de conversas e painéis sobre atuação e a cena audiovisual local e internacional – um deles com o ator Bruno Garcia. Na abertura, às 17h, será exibido o filme O sertão vai vir ao mar. O evento é promovido pela Rede Paraíba de Comunicação em parceria com o Los Angeles Brazilian Film Festival (LABRFF). A programação que estava prevista para acontecer no domingo, às 17h, no mesmo horário do jogo do Brasil contra a Holanda, foi transferida para depois do fim da partida – que também será transmitida pelo telão da pousada.
O sertão vai vir ao mar, dirigido por Rodrigo César, foi produzido pelas TVs Cabo Branco e Paraíba em 2024 e exibido nestes canais; ele também foi projetado no Fest Aruanda, naquele mesmo ano. O curta acompanha a história de Bento (Tay Lopes), vaqueiro que abandona sua cidade no Sertão e ruma para realizar o seu maior sonho, o de conhecer o mar. No trajeto, ele ganha a companhia de Ciço (Joálisson Cunha); a dupla faz as vezes de Dom Quixote e Sancho Pança, inclusive nas fantasias do personagem, ao longo da trama.
O primeiro painel será apresentado no sábado, às 11h, intitulado Festivais Internacionais: portas de entrada para coproduções, distribuição e reconhecimento global e ministrado por Lael Arruda e Meire Fernandes, que estão à frente do festival. “Este está nascendo como uma expansão do LABRFF, que acontece há 19 anos em Los Angeles e é considerada a principal vitrine e a ponte para o cinema brasileiro em Hollywood. Por que eu posso afirmar isso? Muitas produções grandiosas surgiram lá, nos EUA”, afirma Lael.
Dentre os exemplos que analisa, ele cita O matador, realizado por Marcelo Galvão em 2017, o primeiro filme nacional original a figurar no catálogo da Netflix, além de Solteira quase surtando, longa de Caco Souza, coproduzido pelo estúdio MGM em 2018. “Temos Tati Leite, que foi nossa produtora por muitos anos [na Rede Paraíba], profissional de efeitos especiais e que hoje é dos estúdios Disney. Ela fez O rei leão, indicado ao Oscar, e fez Mufasa agora. Um festival de cinema como esse acaba sendo porta para essas conexões”, diz Lael.
As mostras competitivas também começam no sábado, a partir do meio-dia, com o curta Uma menina, um rio, com direção de Renata Martins e do longa Acampamento intergaláctico, com Fabrício Bittar. Ao longo da tarde, mais curtas ganham espaço na mostra: As Marias, de Dannon Lacerda; Anamnese, de Eduardo P. Moreira; Umbilina e sua grande rival, de Marlom Meirelles Nascimento; e Jaz, de Liza Gomes. Antes da exibição dos longas, às 17h está marcado o painel O que a cena quer?, com o ator pernambucano Bruno Garcia.
Um dos destaques da programação de curtas é Onde eu começo?, registro da atriz e cantora paraibana Mayana Neiva, focado em sua família e dirigido pela própria. A sessão será a partir das 15h. “A pesquisa para o filme foi um grande renascimento. Uma jornada de retorno à minha essência. Refleti muito sobre as minhas origens, sobre o salto que eu pude dar na vida, e sobre o meu avô nunca estudou, nem teve oportunidades. Eu achei que queria fazer um filme em homenagem a ele, mas era eu quem precisava dessas reflexões”, diz Mayana.
Onde eu começo? estreou em abril deste ano no Beverly Hills Film Festival, angariando o troféu de melhor documentário. Mayana, todavia, ressalta o prazer de ver o seu projeto ganhar uma janela de exibição no seu estado natal. “Meu avô nasceu perto de Patos, então é ali na origem de tudo, onde toda essa história começou. É um filme feito com recursos próprios e de maneira artesanal, na pandemia, experimental. Mas fazer ele chegar agora na ‘Hollywood nordestina’, é para mim, a estreia mais afetuosa que ele poderia ter”, assevera.
Fechando a programação do sábado, a partir das 18h, três longas: Os infiéis, de Tomás Fleck; Malaika, de André Morais; e Acordo com lampião? Só na boca do fuzil, de Marcelo Felipe Sampaio. A grade volta no domingo a partir das 11h com Cordélicos - A Origem do Cabra da Peste, animação realizada por Ale McHaddo; neste, os atores Tadeu Mello e o cantor Falcão atuam na dublagem. Após o jogo do Brasil, está prevista a exibição do filme Um carnaval em cada esquina, com direção de Vânia Lima. A cerimônia de premiação acontece na sequência.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 03 de junho de 2026.