Publicação 06/01/2026 08:57, Atualização 18/08/2026 12:39
O Brasil saiu duas vezes campeão do Critics Choice Awards 2026. O longa-metragem O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, foi laureado, de forma inédita, como o Melhor Filme em Língua Não Inglesa, à frente de concorrentes como Foi Apenas um Acidente. E mesmo que por um título estadunidense, o paulista Adolpho Veloso levou para casa o troféu de Melhor Fotografia por Sonhos de Trem. O ator Wagner Moura também concorria como Melhor Ator por O Agente Secreto, mas foi suplantado por Timothée Chalamet em Marty Supreme. A cerimônia de premiação do último domingo (4) confirmou o favoritismo de Uma Batalha após a Outra — vencedor de Melhor Filme e Direção — e o êxito de Pecadores.
Além dos méritos artísticos, o filme brasileiro beneficiou-se da ausência de outro grande rival na categoria: Valor Sentimental. Apesar de esta ser uma produção norueguesa, o longa concorreu como Melhor Filme: pelas regras da competição, os indicados na categoria não podem disputar simultaneamente como Melhor Filme em Língua Não Inglesa.
A vitória de O Agente Secreto não foi anunciada durante a transmissão televisiva, o que rendeu um momento constrangedor para a equipe brasileira: o diretor pernambucano dava uma entrevista no tapete vermelho quando a repórter disse que ele tinha sido premiado. Ela entregou o troféu de forma lacônica e cortou para os comerciais.
Kleber pôde agradecer o reconhecimento e saudar os colegas internacionais quando subiu ao palco, ao lado de Wagner Moura, para anunciar o prêmio principal da noite. O ator fez piada com os que disputavam a categoria: Melhor Filme “ou, como dizemos no Brasil, ‘melhor filme estrangeiro’”, brincou Wagner.
Nas categorias de atuação, além de Chalamet, que chega para fazer frente a Leonardo DiCaprio (protagonista de Uma Batalha após a Outra), Jessie Buckley conquistou o prêmio de Melhor Atriz por Hamnet, cinebiografia sobre o casal Agnes e William Shakespeare. Amy Madigan colheu os louros por sua atuação marcante em A Hora do Mal, sendo eleita a Melhor Atriz Coadjuvante.
Uma das escolhas surpreendentes da noite foi o troféu de melhor Ator Coadjuvante para Jacob Elordi, pela “criatura” de Frankenstein, adaptação dirigida por Guillermo del Toro. O artista australiano derrotou os favoritos Sean Penn e Benício del Toro, ambos por Uma Batalha após a Outra. Com lançamento limitado nos cinemas, Frankenstein, da Netflix, venceu, ainda, nos segmentos de Design de Produção, Figurino e Cabelo e Maquiagem.
Os roteiros de Pecadores e de Uma Batalha após a Outra, sagram-se os melhores nos segmentos Original e Adaptado, respectivamente. Dirigido por Ryan Coogler, Pecadores emplacou também os prêmios de Melhor Elenco, Melhor Ator ou Atriz Jovem (Miles Carlton) e Melhor Trilha Sonora.
Termômetro do Oscar?
O baiano Wagner Moura também estava nomeado em uma categoria televisiva do Critics Choice — a de Melhor Ator Coadjuvante pela minissérie Ladrões de Drogas. Perdeu para Owen Cooper, de Adolescência, destaque do catálogo da Netflix que abocanhou mais prêmios da área: Melhor Ator, para Stephen Graham, melhor atriz coadjuvante, para Erin Doherty, além do título de melhor minissérie. Outro êxito da mesma plataforma, Round 6 levou o troféu de melhor filme estrangeiro por sua terceira temporada. O talk show de Jimmy Kimmel também foi premiado: em seu discurso, o apresentador norte-americano “agradeceu” ao presidente Donald Trump, que fez lobby para que o programa saísse do ar.
Ainda nas categorias televisivas, The Pitt (HBO Max) confirmou seu sucesso no segmento drama: venceu melhor série, melhor ator principal (Noah Wyle) e melhor atriz coadjuvante (Katherine LaNasa). Os fenômenos recentes de Pluribus e de Ruptura (ambos da Apple TV) garantiram os troféus de melhor atriz para Rhea Seehorn e de ator coadjuvante para Tramell Tillman. Das comédias, a favorita foi O Estúdio (Apple TV) e os atores Seth Rogen e Ike Barinholtz, obtiveram os prêmios de melhor ator principal e coadjuvante. Considerando as mulheres, as láureas foram para Jean Smart, melhor atriz pelo segundo ano consecutivo por Hacks (HBO Max), e Janelle James, melhor coadjuvante de Abbott Elementary (Disney+).
Apesar de ser um bom termômetro para o Oscar, não é certeza de que os destacados no Critics Choice Awards sejam os mesmos que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas escolherá no dia 15 de março, sobretudo porque aquela é uma das primeiras cerimônias de premiação da temporada e a opinião dos votantes pode ser modificada. No ano passado, por exemplo, o longa Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, começou 2025 perdendo quase todos as disputas a que estava indicado para Emília Perez — inclusive o Critics de melhor filme em língua não inglesa. Todavia, as polêmicas na recepção internacional e nos bastidores do rival francês catapultaram o título brasileiro para a vitória no Oscar.
Ao mesmo tempo, o Critics também promove surpresas que não se repetem noutras cerimônias. Jon M. Chu foi laureado como o melhor diretor em 2025 por seu trabalho em Wicked. Já o Globo de Ouro e o Oscar dividiram-se em escolhas “mais óbvias” – Brady Corbet venceu o primeiro por O Brutalista; Sean Baker angariou o segundo graças a Anora. A próxima premiação será justamente o Globo de Ouro, no domingo que vem (11). Nesta, Wagner Moura chega forte na categoria de melhor ator em drama, já que os seus principais oponentes, Leonardo DiCaprio e Timothée Chalamet, disputam o segmento comédia ou musical. O Agente Secreto também disputa o título de melhor filme em língua não inglesa.
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*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 06 de janeiro de 2026.