Publicação 16/06/2025 08:27, Atualização 18/08/2026 16:33
Não há, por enquanto, qualquer previsão para o retorno do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (Progressistas), que está refugiado nos arredores de Tel Aviv, capital de Israel. Segundo o secretário de Comunicação da capital paraibana, Janildo Silva, o espaço aéreo israelense segue fechado desde o bombardeio à capital do Irã, Teerã. “Não existe expectativa de retorno no momento, porque o espaço aéreo está fechado, e a gente segue aguardando novidades da Embaixada a respeito disso”, afirmou.
Cícero precisou buscar abrigo após o acionamento de sirenes na cidade de Kfar Saba, nas proximidades de Tel Aviv, onde participava de uma missão oficial com outras autoridades brasileiras. O alerta soou na noite da última quinta-feira (12), logo após o ataque israelense a Teerã, que intensificou a já delicada tensão entre os dois países do Oriente Médio.
Desde então, o prefeito segue instalado em um alojamento universitário adaptado com estrutura de abrigo, onde permanece sob proteção, acompanhado de uma comitiva formada por prefeitos, secretários e outras autoridades do Brasil.
A embaixada brasileira em Tel Aviv acompanha o caso e está em contato com as autoridades locais para garantir a segurança dos brasileiros. Enquanto isso, Cícero e os demais membros da missão seguem em estado de alerta, à espera de uma definição sobre quando e como poderão deixar o país.
A viagem oficial a Israel teve início no domingo (8) e tinha como foco a busca por novas tecnologias aplicadas à segurança pública, área considerada prioritária pela gestão de João Pessoa. O retorno ao Brasil estava inicialmente previsto para a próxima sexta-feira (20), mas a situação geopolítica mudou drasticamente os planos da comitiva.
“Vai dar certo”
Em vídeo publicado nas redes sociais, ainda na noite de quinta, o prefeito relatou ter se dirigido duas vezes ao abrigo após o disparo de sirenes que indicavam risco de ataque. “Estamos todos no alojamento da viagem, no campus universitário. Passando para tranquilizar a todos. Por aqui, estamos fazendo o possível para nos cuidar e voltar para João Pessoa o quanto antes. Em breve, com fé em Deus, estarei em casa”, disse.
Cícero afirmou ainda que tem mantido diálogo constante com o presidente da Câmara dos Deputados, o também paraibano Hugo Motta, na tentativa de viabilizar uma solução para o retorno do grupo. “Ele tem falado com o Itamaraty. Está tudo em paz. Vai dar certo”, tranquilizou. O parlamentar confirmou a conversa, por meio de suas redes sociais, e reforçou que estava em diálogo com o ministro das Relações Exteriores, o chanceler Mauro Vieira. “A Câmara está atenta para garantir a segurança e o retorno de todos que estão em Israel”, garantiu Motta.
Já em uma postagem feita na tarde de ontem, o gestor pessoense dirigiu-se aos cidadãos e políticos que torcem para que seu retorno seja feito em segurança. “Fica aqui meu gesto de gratidão a todos que têm procurado falar comigo, trazer uma mensagem, mandar oração, mas também a toda a classe política que tem demonstrado solidariedade”, complementou Cícero.
Embora Cícero seja o único político da Paraíba na comitiva oficial, há outros cidadãos paraibanos, em Israel, sem condição de deixar o país. Quem está monitorando essa situação, desde a última quinta-feira (12), é a Secretaria de Representação Institucional da Paraíba em Brasília (Seri-PB), sob orientação do governador João Azevêdo. “Até o presente momento, [identificamos] seis paraibanos, incluindo o prefeito da capital. Estamos juntos com a Embaixada do Brasil em Israel, a Embaixada de Israel no Brasil e o Itamaraty acompanhando passo a passo os paraibanos que vão ser repatriados pela Força Aérea Brasileira”, afirmou, na tarde de ontem, o secretário-executivo de Representação Institucional, Adauto Fernandes.
Também ontem, João Azevêdo relatou que estava mantendo contato com o chefe do Executivo da capital, por meio de mensagens. “Evidentemente, é um momento tenso, de muita apreensão. Mas o nosso presidente da Câmara [dos Deputados], Hugo Motta, está cuidando para que, mais rapidamente, possam trazer de volta não só o prefeito Cícero Lucena, mas vários outros prefeitos que estavam nessa missão a Israel”, comentou o governador.
Sobre o ataque
As Forças de Defesa de Israel bombardearam infraestruturas nucleares no Irã, na madrugada da sexta-feira (13), ainda quinta-feira (12) pelo horário de Brasília. O ataque elevou a tensão entre os dois países, e Teerã prometeu retaliar. Segundo a TV estatal iraniana, o chefe da Guarda Revolucionária, Hossein Salami, e o chefe das Forças Armadas, Mohammad Bagheri, morreram na ofensiva, além de dois cientistas nucleares. Israel alegou que o ataque foi uma resposta ao lançamento de mais de 100 drones iranianos contra seu território.
Além do prefeito de João Pessoa, o grupo que está em visita oficial a Israel é composto por 25 políticos de outros 10 estados brasileiros e do Distrito Federal. O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, é um deles. Em suas redes sociais, ele mostrou como é o bunker onde a comitiva esteve abrigada durante os momentos de maior tensão e narrou a tensão vivida. “Eu estava dormindo, eram 2h55 da madrugada, quando acordei com o barulho de uma sirene. Coloquei a primeira roupa que tinha, peguei o passaporte, bati no quarto do lado, chamei o [Márcio] Lobato [secretário de Segurança Pública de Belo Horizonte] e vim para cá. Ficamos muito assustados, muito tensos, mas eles [os israelenses] conseguiram nos acalmar”, relatou.
A vice-prefeita e secretária de Segurança Pública de Florianópolis, Maryanne Mattos, também está no país do Oriente Médio para conhecer novas tecnologias para a pasta sob sua administração. Em um vídeo postado nas redes sociais, ela contou que precisou ficar no bunker por duas vezes, entre a quinta-feira e ontem, mas ressaltou a agilidade do processo e a antecedência com que os sistemas de alerta funcionaram. A gestora deu outros detalhes de como a rotina foi alterada por causa da tensão política. “Nós iríamos para Jerusalém, mas isso foi cancelado, porque o governo de Israel está pedindo para o pessoal não pegar a estrada. E o espaço aéreo está fechado, então não tem como decolar nem como pousar avião. São essas questões que estão fora da normalidade, mas, aqui dentro do instituto, a gente vai continuar com as atividades”, informou.
Confira os outros integrantes da comitiva presente em Israel:
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 14 de junho de 2025.