Publicação 28/08/2023 14:29, Atualização 19/08/2026 16:48
Com apenas 26.062 habitantes, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município de Alagoa Grande é uma daquelas cidades pequenas cheias de atrativos turísticos. Esse território do Brejo paraibano chegou a produzir mais de 1.100 toneladas de fava por ano, o que a faz ser conhecida como a “terra da fava”, pois o cultivo é um dos maiores do Brasil. Lá, está também o terceiro teatro mais antigo da Paraíba - o Santa Ignez, o Morro do Cruzeiro, e um memorial dedicado ao filho ilustre, Jackson do Pandeiro. É nesse ambiente pleno de cultura e história que a Rota Cultural Caminhos do Frio vai estar a partir de amanhã até 3 de setembro, com uma programação diversificada, que irá enfocar os cordelistas nascidos no local.
“Alagoa Grande deverá preparar uma grande festa, assim como nossas coirmãs - os outros nove municípios que estão fazendo bonito no Brejo. A cidade deverá ter um trabalho muito bonito de ornamentação para receber os visitantes durante a semana. Em 2022, recebemos cerca de 15 mil visitantes, e a expectativa é que nessa edição o público seja maior”, projetou o secretário de Cultura e Turismo de Alagoa Grande, Marcelo Felix.
Esse ano, todas as 10 cidades incluídas na Rota Cultural estão com foco na literatura de cordel, e Alagoa Grande tem nomes de pioneiros do gênero como Manuel d´Almeida Filho (1914-1995), que tem seu nome inscrito na Academia Brasileira de Literatura de Cordel.
“Alagoa Grande é berço de grandes cordelistas, como Manuel d´Almeida Filho e, por isso, deverá festejar esse tema de forma bastante intensa. Além disso, teremos várias atividades culturais para apresentar ao visitante, desde a abertura com algumas homenagens a cordelistas da terra, bem como música, teatro, gastronomia e cinema”, disse.
Segundo Marcelo Felix, além do destaque para o nome de Manuel d’Almeida Filho, haverá a homenagem em vida para o alagoa-grandense Antonio Alves Correia Filho, conhecido como “Seu Tareco”, que produziu cerca de 70 folhetos. “Ele é um grande cordelista, tem 66 anos de idade, e será homenageado, em vida, durante o Caminhos do Frio. Na noite de abertura, um pouco da história dele será apresentada e o próprio artista terá um espaço para fala.”
Durante o ciclo de visitação, o público terá acesso aos cordéis dos homenageados e de poetas de outros gêneros. Na parte literária estará incluído o estande da Editora e Jornal A União, que mais uma vez irá expor obras de autores, incentivando o hábito da leitura. “A leitura ainda é o caminho mais amplo para o conhecimento. Apesar da existência da internet e das mídias sociais. Não existe nada à altura da leitura e A União tem muitas publicações de relevância para a nossa literatura. Sempre é importante apoiar iniciativa como essa, que vem percorrendo todo o Brejo, não só divulgando alguns autores, mas levando conhecimento para a população”. Marcelo Felix frisou que será uma semana intensa, em que a cidade irá exaltar toda sua cultura. “O Caminhos do Frio é a acolhida, pertencimento da população e a criatividade dos nossos artistas”, afirmou.
O visitante que for à cidade terá a oportunidade de conhecer a terra natal do paraibano José Gomes Filho (1919-1982), mais conhecido como Jackson do Pandeiro, cantor, compositor e multi-instrumentista. Nascido no Engenho Tanques, o filho da cantadora de coco Flora Mourão, e do oleiro José Gomes, Jackson teve uma infância pobre e perdeu o pai cedo. A família foi buscar melhores condições de vida em Campina Grande, onde Jackson trabalhou como engraxate e ajudante de padaria. Mas, foi em Campina Grande que ele se encontrou na vida artística e ao longo da trajetória gravou mais de 30 discos, sendo considerado um dos maiores ritmistas da história da Música Popular Brasileira (MPB).
Calendário Atualizado do Caminhos do Frio:
-Alagoa Grande - 28 de agosto a 3 de setembro
-Alagoa Nova - 4 a 10 de setembro
Mais sobre o município
Alagoa Grande passou a se destacar pela produção de fava. Entre os tipos mais comuns estão a fava branca e a lavandeira. O cultivo abastece, praticamente, apenas a Paraíba, o que já é um destaque importante para a cidade cuja história iniciou no século 19.
História - Em meados do século 19, Alagoa Grande era parte integrante do município de Areia. Em 1847 deixou de ser povoado e passou a ser distrito. A emancipação política data de 21 de outubro de 1864, sendo instalada como vila em 26 de julho de 1865. Mas, somente em 27 de março de 1908, foi elevada à categoria de cidade. Nos primórdios, a região se destacou pela agricultura da cana-de-açúcar, utilizando intensa mão de obra escrava. Por conta da falta de desenvolvimento econômico no decorrer da segunda metade do século 20, muitas famílias se mudaram para outras cidades. O êxodo provocou queda no número de habitantes na época.
Atrativos Turísticos:
*Matéria publicada originalmente na edição impressa de 27 de agosto de 2023.