Publicação 22/12/2025 08:50, Atualização 18/08/2026 19:17
Um ano de renovação e de avanços: essa é a concepção de Luciana Rabay sobre 2025 em relação à Federação de Esportes Aquáticos da Paraíba (Feap). Em entrevista ao Jornal A União, a presidente da entidade destacou conquistas do seu primeiro ano de gestão — como um título relevante para a Seleção Paraibana, a profissionalização da arbitragem e a adoção de uma política de paridade de gênero — e projetou metas para 2026.
“Eu acho que não teve nenhuma competição a nível nacional que não fomos esse ano, eu ou Adriana, que é a vice-presidente. Então, esse trabalho que é feito no dia a dia, da gente estar junto, falar com o atleta, perguntar como está, eu acho que isso aí contribui também para os resultados; fora o apoio que damos aos técnicos e aos clubes com relação a treinamento, capacitação de árbitros, eventos que a gente traz para cá, acaba favorecendo tudo. Então, do ponto de vista de gestão, a gente progrediu muito esse ano. Eu fiz questão de montar uma equipe de diretoria que fosse, pelo menos, 50% mulher e 50% homem e eu até falei disso no meu discurso de posse, o quanto é difícil, às vezes, a gente pensar no nome de uma mulher para determinados cargos”, expressou Rabay.
Um dos grandes marcos do ano atual foi a conquista, até então inédita, do Troféu Milton Medeiros, em julho, em Fortaleza. Para a 35a edição da competição de natação, a Paraíba mesclou trabalho técnico, estratégico e coletivo, e o resultado não teria como ser outro: o estado liderou o campeonato com 6.738 pontos, à frente de Pernambuco (6.082) e da Federação Amazonense (5.150). No quadro de medalhas, a hegemonia também se repetiu: foram 42 ouros, 45 pratas e 37 bronzes, totalizando 124 medalhas para o grupo estadual.
“Esse resultado do Milton Medeiros colocou a gente num patamar alto a nível nacional, porque esse ano a Paraíba sempre estava no Top 3 dos clubes e das federações, das competições. Isso exigiu muito da gente, junto com os atletas, porque foi uma mudança de pensamento. A natação é um esporte individual, mas existem competições por equipe e é muito benéfico para o estado e para os clubes vencerem por equipe, não só individualmente. Então, o que aconteceu muito foi termos atletas que, por exemplo, eram os melhores dos 50 m livres, mas tinham que nadar as outras provas também, porque a gente precisava dos pontos. Então, teve alguma resistência de alguns atletas, mas eu fui bem rígida e disse: ‘essa é a minha regra, você está convocado dentro dela. Se você não atender as regras, você não vai’. Então, foi arriscado, porque podia ter uma rejeição. Mas, no final, deu certo”, relembra a presidente da Feap.

Para além da natação, as demais modalidades esportivas aquáticas também tiveram uma excelente temporada, como por exemplo os saltos ornamentais. “Tinha muitos atletas daqui que eram federados por Brasília e competiam por clubes de lá. Mas no meio do ano, depois de conversarmos sobre isso, eles se federaram, fizeram a transferência, então, a equipe de saltos realmente está aqui na Paraíba. Um dos destaques é Maria Emília Vaz. Ela é muito boa, uma das promessas dos saltos. Edmundo Vergara é um técnico que faz um trabalho belíssimo. Os saltos também foram destaque”, aponta Rabay.
“Tivemos, também, o Campeonato Brasileiro de Nada Artístico, que foi em junho, com a presença da técnica da Seleção Brasileira, com árbitros internacionais, e fizemos cursos, até de clínica com os atletas. Além disso, Nada Artístico foi um Campeonato Brasileiro e três etapas de Paraibano. No Polo Aquático, tivemos um torneio interestadual, com Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, e fizemos o Polo Aquático no mar, que fez parte do Paraíba World Beach Games. De águas abertas, tivemos a Copa Brasil, que foi em setembro, também parte do Paraíba Beach Games, além do Aquarace”, acrescenta ela.
Planejamento 2026
Para o próximo ano, o objetivo principal da Feap é continuar evoluindo, agora em outras frentes. A gestora cita os principais: criação do Circuito Paraibano de Águas Abertas, fortalecimento das equipes de desporto universitário e captação de recursos.
“A gente não teve o Circuito Paraibano de Águas Abertas, e isso é algo que vamos precisar ter no ano que vem. Em 2026, nosso calendário não prevê grandes competições aqui na Paraíba, porque existe um rodízio de competições em nível nacional, e não há nada previsto no calendário oficial para o estado. Então, teremos tempo para focar na formação dos atletas universitários e dos atletas daqui nessa questão da equipe, sabe? De eles se enxergarem como uma equipe forte, coesa, participando do Milton Medeiros, que vai ser em Salvador, e levando uma equipe forte também para defender o título’, inicia.
“Para 2026, o foco é o aprimoramento da gestão e a melhoria da parte de sistema, tanto do sistema de gestão quanto da parte de sistema de piscina, de todos os esportes. A gente precisa de melhoria dos equipamentos e de melhoria do pessoal, com treinamento, para alcançar excelência na arbitragem. Outro ponto é a captação de recursos. Em 2026, vamos atrás, tanto de apoio de vereadores e deputados — já que a Federação está com tudo regularizado em termos de certificados — quanto de patrocínio de empresas. Acho que, neste ano, a Federação mostrou que tem organização e capacidade de gestão, tanto nas competições aqui quanto nas equipes. E vamos contar com o apoio das empresas locais para que invistam na Federação, e a gente possa fazer cada vez mais pelos atletas”, finaliza a gestora.
Melhores do ano
Em janeiro (em data a ser definida), será realizada a tradicional premiação dos Melhores do Ano. A cerimônia já faz parte do calendário anual da entidade e busca reconhecer atletas, técnicos e clubes paraibanos que tenham se destacado ao longo da temporada das modalidades aquáticas.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 20 de dezembro de 2025.