Publicação 20/01/2020 11:11, Atualização 21/08/2026 16:36
*por Sara Gomes
A todo instante presenciamos animais negligenciados que se alegram em qualquer demonstração de afeto ou se esquivam pelo medo de sofrer maus-tratos. O excesso de animais abandonados nas ruas é uma realidade cada vez mais presente nos espaços públicos fez com que surgissem verdadeiros guardiões, que abraçam a causa e lutam pelos direitos dos bichinhos. O que leva essas pessoas a dedicarem horas e horas de seus dias? Amor, sensibilidade e senso de justiça são algumas das respostas.
A fotógrafa Michelle Cristina é um desses ‘anjos da guarda’ dos bichinhos. Ela estava saindo da academia, quando presenciou um animal ser atropelado em sua frente. O motorista não prestou socorro ao animal e as pessoas não se mostraram solidárias ao ocorrido.
“Foi aí que percebi que nem todo mundo se importa com os animais. Contei com a ajuda do Amor de Bicho, fizemos campanha no facebook para ajudar a pagar as despesas do veterinário. Essa história aconteceu em 2010 e o cachorro está vivo até hoje”, relembrou.
Mas Michelle tornou-se de fato protetora de animais quando ajudou a resgatar mais de 49 animais ao saber que uma mulher tinha morrido de Leucemia e nenhum familiar queria continuar com os animais. “Eu me envolvi totalmente nesse resgate. Os familiares queriam colocar todos os animais no [Centro] de Zoonose mas a proprietária da casa foi solidária e prorrogou a entrega da casa por um mês. Muita gente se envolveu nesse caso e, aos poucos tudo deu certo”, disse.
Michelle cuida de 80 animais, entre cães e gatos, e os abriga em três locais: sua residência , um terreno no Cristo Redentor e uma casa alugada em Mangabeira. Assim, ela tem gastos elevados, em torno de R$ 3 mil reais.
Aisha: de cachorra de rua a blogueirinha
A vira-lata Aisha Maria vivia na rua, era desnutrida, tinha anemia severa, carrapato, sarna e outras enfermidades. Foi através de uma foto que a protetora de animais Alick Farias viajou para Pitimbu, litoral sul da Paraíba, para resgatar a cadela debilitada, com 45 dias de vida.
Alick resolveu criar um instagram para divulgar as despesas do resgate e para ajudá-la a encontrar um novo lar. No entanto, a ligação entre elas foi tão forte que Alick resolveu adotá-la. “Ela me olhava com olhinhos de amor e gratidão. Ela foi muito guerreira. Sempre resgato animais, mas a sintonia com ela foi diferente, desde a primeira vez que a vi. Um encontro de almas’, revelou emocionada.
Atualmente, Aisha é uma blogueira canina. Isso mesmo! E possui 12.300 seguidores. A cuidadora Alick começou a registrar o cotidiano da serelepe cadela em uma rede social de forma descontraída para diminuir o preconceito com adoção de viras-latas. Alick Farias é estudante de Medicina Veterinária e também faz parte da ONG Adota João Pessoa que há oito anos resgata animais na Paraíba. Atualmente, tem 80 animais sob sua tutela (jumentos, cães e gatos) e presta assistência a outros animais que vivem em lares temporários. Em 2017, recebeu o prêmio da Organização das Nações Unidas na categoria - instituição que realiza ações sociais na Paraíba.
Lady: uma conquista

A rede de solidariedade de protetores de animais mobiliza grandes ações. O maior exemplo desse poder de na Paraíba foi o caso da elefanta Lady que, vivendo nas instalações do Parque Arruda Câmara, foi transferida em novembro de 2019 para o Santuário Elefantes do Brasil (SEB), no Mato Grosso, depois de muita batalha.
Hoje, é possível ver a evolução da elefanta que enfrentava sérios problemas de saúde no local onde estava em João Pessoa. O grupo Harpias teve bastante envolvimento nesta causa. A ONG atua em três pilares: a jurídica, educação ambiental e assistência com foco em veganismo. A presidente Ismally Gonzaga, enfatiza que se não houvesse uma instituição com foco na questão jurídica, a elefanta Lady ainda estaria na Bica. “A audiência judicial da Lady engajou muitas pessoas. Os advogados de defesa da Lady são renomados no Direito Animal e vieram de outros estados e isso fez toda a diferença. Hoje, ela está super bem, em um ambiente bem acolhedor e sendo cuidada por uma equipe altamente capacitada”, disse.
Avanços no Direito Animal
*publicada originalmente na edição impressa de 19 de janeiro de 2020